quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A coesão temporal e aspetual



Resultado de imagem para tipos de coesão


Para que um texto seja temporalmente coeso, tem de existir compatibilidade entre informação sobre a localização temporal (expressa sobretudo pelos tempos verbais) e informação aspectual (exprime o ponto de vista do enunciador relativamente à situação expressa pelo verbo, apresentando o modo como decorre essa situação). Para que essa coesão se verifique, são necessárias as seguintes condições:



utilização correlativa ( que tem dependência mútua) dos tempos verbais:

(1) Quando o Luís telefonou, a Ana saiu de casa.

(1a) * Quando o Luís telefonou, a Ana sairá de casa.

A agramaticalidade de (1a) decorre da impossibilidade de utilizar o futuro do indicativo tendo como ponto de referência o pretérito perfeito do indicativo.

# utilização correlativa dos advérbios de localização temporal e dos tempos verbais:

(2) Amanhã tenho aulas.

(2a) * Amanhã tive aulas.

Um advérbio que remete para o futuro impossibilita a utilização de um tempo verbal passado.

# utilização compatível dos valores aspectuais dos verbos e do valor semântico dos conectores temporais utilizados:

(3) Enquanto jantou, a Luísa leu o jornal.

(3a) * Enquanto chegou, a Luísa leu o jornal.

O conector "enquanto" pressupõe uma situação contínua, não sendo, por isso, compatível com o verbo chegar, que indica uma acção pontual.

# ordenação textual linear dos eventos representados no texto:

(4) A Joana abriu a porta e a prima entrou.

(4a) *A prima entrou e a Joana abriu a porta.

A sequência temporal dos enunciados deve obedecer ao nosso conhecimento do mundo. Assim, qualquer falante espera que a acção de abrir a porta anteceda a de entrar.



Fontes:
http://www.prof2000.pt/users/dani/coesao/coesaoaspectualexp.htm
http://apoioptg.blogspot.pt/2007/04/coeso-textual.html







Antes da realização dos exercícios abaixo, é conveniente conhecer bem o verbo: a flexão que assegura a concordância verbal e o valor semântico / aspetual de cada modo e tempo verbal.


OS VERBOS
CATEGORIAS MORFOSSINTÁTICAS DO VERBO

Modos e temposPessoa / NúmeroVoz
Subclasses de VerbosConjugaçõesAspeto


EXERCÍCIOS

Junte as frases, tendo em conta:


- a concordância sujeito / verbo
- a coerência de sentido entre uma e outra frase
- os marcadores temporais presentes nas frases da esquerda
- os tempos verbais que correspondem a esses marcadores



domingo, 8 de fevereiro de 2015

As Conjunções e Locuções Coordenativas e Subordinativas






Para dividir e classificar orações, deves saber identificar e classificar bem as conjunções e locuções. Se ainda não as conheces, começa o teu estudo pelos FLASHCARDS (escolhe-os em baixo, à direita) e termina com a modalidade teste. Em OPTIONS, em cima, à direita, seleciona Multiple Choice. 


O valor semântico das orações coordenadas copulativas e adversativas

ORAÇÕES COORDENADAS

Copulativas e Adversativas

Adição ou Oposição?

Lê as instruções e completa os espaços com "e" ou com "mas".


Adição ou Oposição?

1 - Lê atentamente as frases e completa com as conjunções "e" ou "mas".

a) Hoje está um dia maravilhoso  eu vou à praia.
b) O meu clube jogou bem,  perdeu!
c) Vou comprar bilhetes para o futebol  vou convidar o meu primo.
d) Eu também vou comprar bilhetes,  não vou convidar ninguém.

1.1 -Nas frases das alíneas a) e c) temos duas frases simples, com dois predicados distintos:

Hoje está um dia maravilhoso. (Eu) vou à praia.
Vou comprar bilhetes para o futebol. Vou convidar o meu primo.

CONCLUÍMOS:

Junta-se as duas frases simples, adicionando uma ideia à outra. A conjunção "e" indica ADIÇÃO e é uma conjunção coordenativa copulativa. Há outras conjunções e locuções coordenativas copulativas: nem, não só...mas também, não só...como (Ver quadro acima). À nova frase que obtivemos chamamos oração COORDENADA COPULATIVA. 

1.2 - Nas frases das alíneas b) e d) temos duas frases simples:

O meu clube jogou bem. O meu clube perdeu!
Eu também vou comprar bilhetes. Não vou convidar ninguém.

CONCLUÍMOS:

As duas frases simples apresentam ideias opostas. Ligam as frases por uma relação de OPOSIÇÃO / CONTRASTE. Juntámos as duas frases simples, através de "mas" que é uma
conjunção coordenativa adversativa. À nova frase que obtivemos, chamamos oração COORDENADA ADVERSATIVA. Há advérbios conectivos que têm o mesmo valor semântico de oposição e contraste. são eles porém, todavia, contudo, no entanto (Ver quadro acima). 

2. Pratica o que aprendeste: "e" ou "mas"?

2.1 - Abri o frigorífico  guardei as compras.
2.2 - Estou muito ocupada,  consigo arranjar um minuto para falar contigo.
2.3 - Amanhã vou viajar,  não sei ainda onde vou.
2.4 - Tenho muita vontade de ir a Londres,  não tenho dinheiro.
2.5 - Comprei ontem um perfume  comprei também roupas novas.
2.6 - Adorei a tua visita  espero que voltes novamente.
2.7 - Gostei que viesses,  ficaste cá pouco tempo.
2.8 - Estamos numa aula  estamos a realizar exercícios.
2.9 - Já sei construir frases complexas,  preciso de praticar mais.

Compara as frases de 2.1 a 2.9. Repara na pontuação.

Quando colocamos vírgula? Nas frases com "e" ou nas frases com "mas"?

Resposta:

Podemos colocar ou não a vírgula antes da conjunção "".
Não colocamos vírgula nas frases ligadas com "".



© Recurso elaborado pelo Gabinete de Português da Escola Móvel


EXERCÍCIOS  AUTOCORRETIVOS

Que outros tipos de orações coordenadas existem? Realiza o teste abaixo e descobre-as.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

As orações subordinadas adverbiais




Para melhorar os seus conhecimentos sobre a identificação e classificação de orações subordinadas, realize estes exercícios autocorretivos na modalidade que entender, bastando para isso selecionar o tipo de apresentação que pretende dar ao exercício em CHOSE A STUDY MODE, em baixo, à direita de cada exercício.

Pode escolher a modalidade dos exercícios do TESTE em OPTIONS, em cima à direita e assinalar escolha múltipla, associação, resposta curta ou outra.


Pode também escolher a modalidade mais lúdica (scatter ou space race).


Nota: a aplicação não permite a tradução das instruções para português,

As orações subordinadas adverbiais acrescentam circunstâncias várias (de tempo de causa, de finalidade, de condição, de consequência, entre outras) que  completam o sentido da frase subordinante. Essa é a função habitual dos advérbios, razão pela qual se designam como ADVERBIAIS.


Descubra, no exercício abaixo, os vários tipos de orações subordinadas adverbiais, consoante o tipo de circunstâncias que apresentam.


 

As orações subordinadas TEMPORAIS apresentam circunstâncias de tempo que modificam, caracterizam, contextualizam no tempo o que é dito na oração subordinante. 


 




Estabeleça a correspondência entre a frase subordinante e a subordinada CONDICIONAL. Todas as subordinadas exprimem condições de que depende a realização do que é dito na subordinante.



Em breve serão publicados, neste mesmo recurso, exercícios para os restantes tipos de orações subordinadas adverbiais.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Orações Subordinadas Substantivas Completivas

 


As orações subordinadas substantivas desempenham funções sintáticas características de grupos nominais, daí a designação de substantivas, conforme nomenclatura atribuída ao NOME, antes da publicação do Dicionário Terminológico.

          As orações subordinadas substantivas (1) dividem-se em:


  • COMPLETIVAS: O professor disse que o teste vai ser adiado. / Diz-me se vais à escola.

  •     RELATIVAS SEM ANTECEDENTE: Quem vai ao mar perde o lugar. / Tu precisas de quem te ajude na lida da casa. (2)
        Obs. Estas últimas não serão tratadas neste recurso



  • 1. As orações subordinadas substantivas completivas finitas (porque o verbo está flexionado) (3) são introduzidas pelas conjunções completivas "que" e "se":
- a) Eu sei que tu és um bom rapaz. / b) É evidente que as coisas vão piorar.
- c) A Joana perguntou se eu ia faltar. / d) Quero saber se estás melhor.

  • Estas orações podem desempenhar diferentes funções sintáticas:
-# Sujeito:
                . É evidente que as coisas vão piorar   Isso é evidente.
. Espanta-me que a Teresa tenha emigrado.  Isso espanta-me. 
. É necessário que tu estudes mais.  Isso é necessário.  

(As orações sublinhadas desempenham a função sintática de sujeito das orações que as precedem, visto que podem ser substituídas pelo pronome demonstrativo "isso" ou "esse facto". )


-# Complemento direto:
                . Eu sei que tu és um bom rapaz.  Eu sei isso.
. O governo quer que os portugueses empobreçam. O governo quer isso.
                . A tua irmã perguntou-me se gosto dela. Ela perguntou-me isso.

                . O Luís afirma que o Miguel copiou. Ele afirma isso.


. As orações subordinadas completivas exigidas por verbos que marcam uma interrogação / inquirição (perguntar, pedir, inquirir, etc.) podem ser introduzidas por: pronomesdeterminantes,quantificadores e advérbios (precedidos ou não de preposição) e desempenham igualmente a função sintáctica de complemento direto:
                                   -» Perguntei-lhe    que medidas tomou.
                                                                 quando terminou o secundário.
                                                                 como conseguiu o novo emprego.
                                                                 quem encontrou o anel. 
                                                                 quanto custou o I-Pad.
                                                                 quantos anos passou na prisão.
                                                                 qual era a sua música preferida.
                                                                 onde costuma ir nas férias.
                                                                 por quem foi ameaçado.


-# Complemento oblíquo do verbo - orações introduzidas por "que" precedido de verbo com preposição fixa:
. O professor insistiu em que os alunos lessem Os Maias.
. O Benfica luta para que haja verdade desportiva.
. Estas orações completivas podem ser substituídas pelo pronome "isso" ou pelo grupo nominal "esse facto", precedidos de preposição:
-» O professor insistiu nisso / nesse facto.
-» O Benfica luta para isso.

-# Complemento do nome:
. Lamento o facto de que os árbitros auxiliem certos clubes.
. O professor levantou a possibilidade de que o Luís tivesse copiado.

-# Complemento do adjetivo:
. Estou certo de que o clube vai recuperar a liderança.
. Os governs são os responsáveis por que a crise se tenha instalado.
. Estou convicto de que as coisas vão melhorar.


FONTES: http://dt.dgidc.min-edu.pt/
http://portugues-fcr.blogspot.pt/


NOTAS


 (1) As orações subordinadas substantivas são selecionadas por:
  • um verbo: A Maria afirmou que amanhã não há feira.
  • um nomeFoi uma alegria que o Benfica tivesse derrotado o Marítimo.
  • um adjetivo: Os alunos estão conscientes de que sou um péssimo professor.


(2) Para distinguir as orações completivas das relativas sem antecedente, realiza-se o seguinte teste:
          - substituir o "que" ou o "quem" pela palavra "(as)pessoas" e verificar se a frase é gramatical. Se assim for, trata-se de pronomes relativos e não de conjunções completivas. Logo, a frase é subordinada relativa sem antecedente.


(3) Às orações finitas, que são flexionadas em pessoa e número, opõem-se as não finitas infinitiva, sem flexão verbal:

  • As orações subordinadas substantivas completivas não finitas são infinitivas dado que têm o verbo no infinitivo pessoal ou impessoal.
  • Geralmente, estas orações não são introduzidas por preposições.
  • No entanto, aquelas que são seleccionadas por verbos que indicam um pedido ou uma ordem (dizer, insistir, pedir, solicitar...) podem exigir a presença dapreposição "para".
  • À semelhança das orações finitas, as não finitas infinitivas podem desempenhar diferentes funções sintácticas:
          -» Sujeito:
                    . Provocou-me espanto o Nacional ter derrotado aquele clube do Norte.

          -» Complemento direto:
                    . O Miguel disse para o Pedro se calar.

          -» Complemento oblíquo do verbo:
                    . Eu esforço-me por vos motivar.
                    . A indisciplina contribui para diminuir o sucesso escolar.
                    . A Maria pensou em namorar com o Tiago.

          -» Complemento do nome:
                    . possibilidade de tu passares de ano é remota.
                    . Tenho pressa de voltar a casa.

          -» Complemento do adjetivo:
                    . Esta máquina de calcular é difícil de compreender.
                    . As inverdades dos políticos são desagradáveis de ouvir.


EXERCÍCIOS 







CORREÇÃO



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Atos ilocutórios


pragmática

Disciplina da linguística que se dedica ao "estudo do uso da língua por oposição ao estudo do sistema da língua" (J. Moeshler e A. Reboul, 1994). A pragmática radica no princípio de que a interpretação de um enunciado não se pode fazer apenas baseado na informação linguística, uma vez que existe todo um conjunto de informações para-linguísticas, não linguísticas e contextuais que interferem e condicionam a produção e interpretação de cada enunciado. (...) Ao usarmos a língua convocamos naturalmente um conjunto de conhecimentos linguísticos, mas servimo-nos igualmente de um arsenal de conhecimentos extra-linguísticos que nos permitem adaptar aquilo que dizemos à situação em que nos encontramos, conhecimentos esses que podem ser culturais, sociológicos, psicológicos, ou influenciados por um conhecimento partilhado por locutor e interlocutor. São estes conhecimentos que nos permitem adequar a fórmula de tratamento o senhor ou o senhor doutor ao interlocutor consoante o seu estatuto social, que nos permitem identificar uma frase interrogativa como pergunta (Posso fumar?) ou como pedido (Podia trazer-me um cinzeiro?), que nos permitem identificar uma frase declarativa como convite (Está um belo dia para sair) ou como constatação (Está um belo dia de sol), ou que nos permitem reconhecer um agradecimento delicado (Muito obrigado. Nem sei como lhe agradecer tanta gentileza) de um agradecimento pouco polido (Obrigado e não volte!).

http://www.infopedia.pt/$pragmatica

Locutor   ------->   Enunciado ------->   Interlocutor




http://photos1.blogger.com/blogger/4926/734/1600/comunicaverbal1.jpg



Que atos de fala podemos realizar e qual o seu efeito no interlocutor?





Exemplos:  os atos locutórios dos exemplos que se seguem são ilocutórios, na medida em que o locutor tem uma determinada intenção e perlocutórios porque produzem no interlocutor um determinado resultado.


- Entra!
- Olá. Estás linda hoje! Não dormiste bem?


A força ilocutória do primeiro enunciado consiste na expressão de uma ordem / pedido "Entra".
A força perlocutória está no efeito produzido (a entrada do interlocutor).

A força ilocutória do segundo enunciado está no sentido apreciativo da expressão "Estás linda hoje" que é desmentido pelo enunciado seguinte "Não dormiste bem?". Este tem uma força perlocutória de sentido crítico, visando destacar o aspeto possivelmente cansado do interlocutor. Que efeitos pode produzir no interlocutor? A certeza de que apresenta sinais visíveis de cansaço e, portanto, algum desconforto. Assim, o enunciado "Estás linda hoje!" adquire um sentido irónico. 


http://quiosquedasletras.blogspot.pt/2011/11/atos-de-fala.html



Siga o seguinte percurso de aprendizagem:



1 - Visione a apresentação sobre os atos ilocutórios em: Português, 10º Ano: Atos ilocutórios (ppt)


2 - Abra a ficha-síntese sobre os atos ilocutórios.

3 - Realize os exercícios.

4 - Assinale abaixo os verbos perfomativos, assim chamados porque exprimem intenções que realizam atos ilocutórios. 


Ex. declarar, prometer, avisar, entre outros. 



http://quiosquedasletras.blogspot.pt/2011/11/atos-de-fala.htm


Outras fontes: 

http://linguatuga.home.sapo.pt/
http://portugues10ano.blogspot.pt/

sábado, 4 de outubro de 2014

Coesão Lexical e Referencial



PROCESSOS DE COESÃO

Uma das propriedades da textualidade é a da coesão, apoiada em marcas de conexão e em processos linguísticos verificáveis ao nível das sequências e da articulação de enunciados (onde cabem categorias como as de construção de referência; de mecanismos de substituição, de elipse, de articulação e de relação lexical), numa complexidade de ligações que sustenta a boa formação dos enunciados, dos discursos, dos textos.

Vítor Oliveira co-autor do manual Com Textos  
http://carruagem23.blogspot.pt/2010/12/coesao-entre-referencial-e-lexical.html











Enquanto a coesão lexical se obtém através de processos simples de substituição, de repetição e de omissão de um vocábulo ou expressão, a coesão referencial depende de processos gramaticais que envolvem a substituição de vocábulos por determinantes, pronomes e advérbios e a retoma de referentes através de anáforas lexicais e pronominais. 




Exercício: siga as cores e descubra, no texto da notícia abaixo, os co-referentes que asseguram a interligação dos termos ao longo do texto. Os processos de coesão são, neste excerto, sobretudo a SINONÍMIA, a ANÁFORA e a ELIPSE.   



Rodrigo Menezes, de 40 anos, foi encontrado morto em casa este sábado, avança a TVI. As circunstâncias em que se deu a morte do ator ainda não são conhecidas. Recorde-se que esta vedeta da TVI trabalhava em exclusivo para a estação de Queluz desde o ano de 2003. 
O caso está neste momento nas mãos da Polícia Judiciária e todos os cenários estão, até agora, em aberto, como informou ao PÚBLICO fonte do Comando Metropolitano de Lisboa daquela instituição. O jornal soube, por amigos do ator, que este poderá ter sofrido um ataque de epilepsia, não tendo conseguido pedir ajuda. A autópsia (1) deverá acontecer na segunda-feira.  
Nesta data, também, é provável que venha a ser marcada uma conferência de imprensa. A notícia foi confirmada pela diretora de Conteúdos e Marketing da TVI, Helena Forjaz. A responsável diz ter sido alertada por Rita Pereira. Colega e amiga próxima de Rodrigo Menezes, a atriz não conhece razões para a trágica ocorrência.  As autoridades estão no local a apurar as causas da morte.
                                                                                                                   Jornal Público 4/10/14
                                                                                                                          (Notícia adaptada)



                                                                              http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-o-actor-rodrigo-menezes-1671865#/0

 (1) Elipse "de Rodrigo Menezes"



Nota da autora do blogue 
É com o maior respeito pela infeliz ocorrência e pelo ator, que sempre admirei, que faço desta notícia texto e exemplo de mera gramaticalidade. A minha homenagem a Rodrigo Menezes, colhido na sua juventude, é nomeá-lo, aqui, 
onde se nomeiam as palavras e as coisas que elas nomeiam.

Verbos transitivo-predicativos - predicativo do complemento direto

VERBO transitivo-predicativo 

Diz-se do verbo que seleciona um complemento direto e um predicativo do complemento direto (é o caso do verbo achar na frase: Achei-a muito simpática.)


In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-10-04].




                                                                Complemento Direto                  Predicativo do Compl. Direto
Eu  acho  alguns locutores  muito vaidosos.

                        Sujeito                                           Predicado




O predicativo do complemento direto é a função sintática desempenhada pelo constituinte selecionado por um verbo transitivo-predicativo, que predica (1) (atribui) algo acerca do complemento direto. Na frase acima essa predicação (atribuição) é "muito vaidosos" que se aplica ao Complemento Direto "alguns locutores".   

Nota:

Assim como o complemento direto é selecionado pelo verbo (transitivo direto), são também «selecionados pelo verbo os predicadores secundários com a relação gramatical de predicativo do sujeito [quando tal verbo pertence à subclasse dos verbos copulativos] e de predicativo do complemento direto, quando o verbo pertence à subclasse dos verbos transitivo-predicativos ou quando se trata de construções resultativas» 

(Mira Mateus et aliiGramática da Língua Portuguesa, Lisboa, Caminho, 2003, p. 290).




                                                  CD                               Predicativo do CD         


                    . A Ana considera a mãe                             uma ótima cozinheira.
                    . O poeta julga-se                                        um visionário.

                    . O Jorge acha a Teresa                              bonita.
                    . Eu acho isto tudo                                      muito estranho.

                    . O professor nomeou-me                            seu assistente.                
                    . A Vera considera este filme                      sem interesse nenhum.

                    . Os portugueses elegeram Cavaco Silva   Presidente da República.               
       


Consideram-se verbos predicativos-copulativos os verbos: 


considerarjulgar, ver, achar, suspeitar, nomear, declarar, designar, 
eleger, fazer, julgar, supor, ter por, tornar, tratar, sonhar, imaginar




Nas frases que se seguem, as expressões em itálico "predicam" (proclamam, indicam, atribuem) algo que caracteriza as entidades presentes no complemento direto das frases (a negrito). 



Eu tenho o meu sócio por uma pessoa séria.

Ela sonha os filhos já crescidos.
Eu sonho o mundo melhor.
Já imagino a nossa vida mais estável.
O juíz declara o réu inocente





Um predicativo do complemento direto pode ser um grupo adjetival (a)  um grupo nominal (b) e (c) , um grupo preposicional (d) e (f) ou um grupo adverbial (e) conforme podemos verificar nas frases:



a) O zé considera o colega    distraído / incompetente / arrogante / mesquinho.

b)  ,,     ,,       ,,       ,,       ,,       um fardo / uma nulidade / um azarado / um cretino
c)  ,,     ,,       ,,       ,,       ,,       o chefe da turma / o líder do grupo / o seu melhor amigo
d)  ,,     ,,       ,,       ,,       ,,       em perigo / em crise / em maré de azar  / à margem do grupo
e)  ,,     ,,       ,,       ,,       ,,       bem relacionado, mal afamado, muito atrevido, mais esperto
f)   ,,     ,,       ,,       ,,       ,,       de rastos / de má-fé / com problemas / sem profissionalismo 



Exercícios

1. Ordene as palavras seguintes para construir frases corretas:

1.1 - execelente cientista  / acha  / Conselho científico / O / o meu filho / um  
1.2 - declarou / o concurso  / O / Diretor  /   inválido
1.3 - seu favorito /  O /   ator /  público / o / proclamou 
1.4 - inconstitucional / lei / A / Assembleia da República / decretou / a 
1.5 - jovens / imaginam  / Os / a vida / muito fácil
1.6 - tornam / as coisas / mais complicadas / Algumas pessoas 



(1) predicar | v. tr. e intr. | v. tr.

pre·di·car 
(latim praedico-areproclamarpublicarlouvarpregar)
verbo transitivo e intransitivo
1. Fazer prédica. = PREGAR
verbo transitivo

2. [Linguística Ter a função de predicado de um argumento.


"predicar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, 
http://www.priberam.pt/dlpo/predicar [consultado em 04-10-2014].